quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Resgates

30/01/2013 - Hoje

Um passarinho gozado resolveu fazer meu muro de passarela. Ficou lá, desfilando e me encarando por alguns dias. Comecei a me perguntar o porquê de um passarinho não ter medo algum da minha pessoa. Aí me lembrei do acontecido de dois anos atrás.

14/12/2011 - anos atrás

"RESGATE" - Hoje tirei um filhote de passarinho de dentro da boca da minha gata. Ele estava todo retorcido de dor e pavor. Espirrei água na cabecinha dele, o protegi embaixo de um chapéu furado e deixei-o descansar. Fiquei preocupada porque não esboçava nenhuma intenção de voar. Depois de uma hora, levei-o para o quintal e o deixei sobre minha mão aberta, esperando alguma reação. Ao sentir o vento nas plumas, ele deu uma bela cagada na minha mão e saiu voando. Fiquei feliz pela recuperação dele e me lavei pensando que nem sequer me toquei de tirar uma foto.

15/12/2011

"RESGATE 2" - Ninguém vai acreditar, mas aí vai.  Hoje, dia seguinte do resgate do passarinho, a  mesma gata trouxe o MESMO passarinho de volta pra mim. Tenho certeza que é o mesmo, pois o número de penas que sobrou do ataque de ontem é o mesmo. Eu tinha acabado de achar os resquícios do incidente de ontem e estava bebendo água. Tudo idêntico a ontem! Só que, desta vez, tive que correr o triplo pra pegar o passarinho. Estava levemente ferido em uma das asas, mas até que estava mais animadinho desta vez. Ficou dando pulinhos enquanto me olhava de dentro do chapéu.  Deve ter se acostumado comigo. Mas e agora? O que fazer?

Obs: desta vez, tirei muitas fotos!

Segurando com carinho

Passarinho sob chapéu furado

 Micaela, a vilã da história


16/12/2011

"Resgate - O desfecho" - Atendendo a pedidos, aí vai o final da história... Senti que se deixasse o passarinho no meu quintal, seria comido ou pela gata da história ou por qualquer outro tipo de predador que passasse por ali (pra quem não conhece, meu quintal é quase uma selva). Aninhei-o carinhosamente nas minhas mãos em concha e o levei para um belo jardim no final da rua. Como não era muito perto, o bichinho ficou impaciente e começou a me bicar insistentemente, mas a violência dele não passava de cócegas pra mim. Ao chegar no jardim, abri as mãos, mas ele não voou. Balancei-o suavemente e soltei-o ao vento. Ele deu um voo curto em parábola e pousou na grama. Como ele não parava de olhar para trás, toquei-o com o pé e ele foi para um arbusto... mas continuou olhando pra trás. Desejei sorte e deixei-o lá. Ainda me preocupo com sua fragilidade, mas qualquer outra coisa que fizesse poderia ferir sua natureza.


Azaleias no pé do muro


30/01/2013 - Hoje

Não vou ter fé de que seja exatamente aquele passarinho que seria almoço da minha gata Micaela por duas vezes, mas num universo como o nosso em que as possibilidades são infinitas, eu não vou descartar a possibilidade de ter sido visitada pelo bichinho. Agora, pensar que recebi uma visita de gratidão é uma fantasia deliciosa. E é isso que mais amo na vida: fantasias deliciosas. Obrigada, passarinho. Obrigada, cérebro que me permite fantasiar. E obrigada, universo matematicamente infinito que me permite acreditar que qualquer bobagem seja possível.


Tá, admito que, quando ele cagou na minha mão, eu pensei : " puuuuta merda, porque não deixei que a gata comesse o passarinho? ".